-
-
15 m
4 m
0
1,7
3,4
6,7 km

Погледана 151 пут(a), скинута са сервера 3 пут(a)

близу Mangueira da Torre, Pernambuco (Brazil)

Parafraseando o memorialista Mário Sette, arruar é o ato de contemplar a cidade através do passeio lento, mas sem deixar de salientar as qualidades e/ou os defeitos da nossa urbe e, ao mesmo tempo, fazermos uma autocrítica, uma vez que somos, no cenário de nosso nascimento e de nossa vida costumeira, quase uns estranhos à sua história, às suas tradições, à sua poesia(…) desdenhamos não somente o passado de nossa terra, mas o nosso próprio passado.
É esse, em linhas gerais, o mote da 1ª Caminhada Histórico-Cultural do Grude 6: Arruando pelo Recife, que ocorrerá no dia 28 de abril de 2018, onde percorreremos um pequeno trecho do Recife, a concentração será no Mercado da Madalena, 7h30min, e a reta final no belíssimo Cais do Imperador.

Ao longo do trajeto colecionaremos ruas, bairros, mercados e aspectos pitorescos da Manguetown. Redescobriremos a história, a cultura, a arte, a arquitetura e a gastronomia desse parte da Cidade Maurícia, na maioria das vezes esquecida pela pressa caótica da modernidade sem freios.

Enfim, pegando uma carona nas ideias do Professor/Doutor Lourival Holanda, muito mais do que um espaço de passagem, a cidade é algo para ser sentido. Precisamos começar a conviver com a alma da cidade, seus mistérios, seus segredos e sempre que puder elevar sua autoestima, uma vez que no Recife está a nossa memória afetiva que atravessa o tempo, passado, presente e se projeta para futuro.
Waypoint

Mercado da Madalena

O Mercado da Madalena foi inaugurado em 1925 , edificado no local onde existia uma grande feira livre. Inicialmente era chamado Mercado do Bacurau, por funcionar à noite. Curiosidade na feira do passarinho chegou a vender Lhama, onça pintada domesticada, leão, entre outros.
Музеј

Bairro da Madalena

A história mais recente da região hoje ocupada pelo bairro de 23 mil habitantes tem inicio em uma doação. Jerônimo de Albuquerque recebeu um grande pedaço de terra do seu cunhado Duarte Coelho. No final do século XVI, a região passou para os herdeiros e, posteriormente, vendidas para várias pessoas. Já no século XVII, o pedaço que hoje é ocupado pela Madalena foi comprado por Pedro Afonso Duro, que construiu um engenho movido a animais. Por este ser casado com dona Madalena Gonçalves, o engenho ficou conhecido como engenho da Madalena. Durante a invasão holandesa foi palco de lutas, ao ser transformado em ponto de resistência aos invasores. O pátio do antigo engenho, ou terreiro, como era conhecido ficava hoje onde se localiza a Praça João Alfredo, em frente a antiga casa grande que, reformada no estilo clássico de fins do século XIX, serviu de residência ao conselheiro do Império João Alfredo. Atualmente, a antiga Casa Grande abriga a sede do IPHAM e o Museu da Abolição. João Rodrigues Colaço e seus descendentes permaneceram na aposse do engenho até o fim do século XIX, a partir de então foi dividido em vários sítios e vendido a diversos donos. Surgiu, assim, o atual bairro da Madalena.
Мост

Ponte da Capunga

Em 1884, foi inaugurada a Ponte de Passagem da Madalena, chamada de Ponte Lasserre, atual Ponte Moraes Rego, mais conhecida como da Capunga, que ligava os atuais bairros das Graças e Madalena e servia de passagem para as maxambombas, pequenos trens urbanos que circulavam pelo Recife.
Waypoint

Casa em que nasceu o Poeta Manuel Bandeira

Nome Artístico: Manuel Bandeira Nome de Batismo: Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho Nascimento: 1886 Óbito: 1968 Vida: além de poeta , foi jornalista, cronista, tradutor, membro da ABL, professor de história da literatura do colégio PedroII e de literatura hispano-americana da faculdade do Brasil, crítico literário e crítico de arte. Foi um dos nomes mais importantes do modernismo Obras: A tuberculose e a poesia andaram juntas no começo de sua carreira. Temas abordados: paixão pela vida, a morte, o amor, o erotismo, a solidão, o cotidiano e a infância. Não utilizou os esquemas métricos, nem rimas, ou qualquer outro padrão musical, mas preocupou-se tão somente com o ritmo e musicalidade natural da fala ou leitura. Poema “os Sapos”, lido por Ronald de Carvalho e 1922. Curiosidade: Um pouco do autor: Evocação do Recife Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois  — Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado  e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê  na ponta do nariz Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras mexericos namoros risadas A gente brincava no meio da rua Os meninos gritavam: Coelho sai! Não sai! A distância as vozes macias das meninas politonavam: Roseira dá-me uma rosa Craveiro dá-me um botão (Dessas rosas muita rosa Terá morrido em botão...) De repente nos longos da noite um sino Uma pessoa grande dizia: Fogo em Santo Antônio! Outra contrariava: São José! Totônio Rodrigues achava sempre que era são José. Os homens punham o chapéu saíam fumando E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo. Rua da União... Como eram lindos os montes das ruas da minha infância Rua do Sol (Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal) Atrás de casa ficava a Rua da Saudade... ...onde se ia fumar escondido Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora... ...onde se ia pescar escondido Capiberibe — Capiberibe Lá longe o sertãozinho de Caxangá Banheiros de palha Um dia eu vi uma moça nuinha no banho Fiquei parado o coração batendo Ela se riu Foi o meu primeiro alumbramento Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras Novenas Cavalhadas E eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus cabelos Capiberibe — Capiberibe Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas Com o xale vistoso de pano da Costa E o vendedor de roletes de cana O de amendoim que se chamava midubim e não era torrado era cozido Me lembro de todos os pregões: Ovos frescos e baratos Dez ovos por uma pataca Foi há muito tempo... A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem Terras que não sabia onde ficavam Recife... Rua da União... A casa de meu avô... Nunca pensei que ela acabasse! Tudo lá parecia impregnado de eternidade Recife... Meu avô morto. Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô.  
Waypoint

Bairro das Graças

As Graças é um bairro originado em loteamentos desenvolvidos no século 19. A região era um grande sítio que se estendia do Parque Amorim, até as margens do Capibaribe. O sítio se dividiu em dois, formando as chamadas Capunga Velha e Capunga Nova. A Velha tinha como eixo central a Rua Joaquim Nabuco, enquanto a Nova, começava nos Quatro Cantos e tinha como eixo a Rua das Pernambucanas. Em 1857, teve início a construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça da Capunga. Já em 1872, foi concluída a Rua das Graças, ligando a Rua das Pernambucanas à Avenida Rui Barbosa. Da paróquia veio o nome atual do bairro, que em 1872, ainda como "freguesia das Graças", formada por pessoas que viviam nas proximidades da igreja, tinha população de mais de cinco mil pessoas, sendo cerca de mil delas escravos. Na formatação antiga, as terras passaram por diversos donos até que chegaram ao francês Nicolau Gadault. Ele era proprietário da Capunga Velha, promoveu o primeiro loteamento e, outro francês Bernard lasserre, casado com uma brasileira, foi o primeiro a construir na região onde hoje está o bairro. Seu sobrado ficava localizado na antiga Fundição Capunga, onde atualmente está um dos prédios da Uninassau. Lá, além da sua moradia, ele construiu um pequeno porto, chamado Porto Lasserre. Bem pertinho da residência dele, a Companhia de Trilhos Urbanos construiu, em 1884, uma ponte de ferro para a passagem das maxambombas, pequenos trens urbanos. A passagem, atual Ponte da Capunga, ligava a então região da Capunga com o bairro da Madalena. Na época, assim como o porto, se chamava Ponte Lasserre.  Já na Capunga Nova, o proprietário era Antônio de Araújo Ferreira Jacobina, baiano que, a partir de 1845, abriu ruas e travessas na região. Residia na Rua das Pernambucanas, onde faleceu décadas depois. Com o passar das décadas, a freguesia das Graças cresceu além das proximidades da igreja e, atualmente, toda a região das Capungas Velha e Nova compõem o atual bairro das Graças. Rua Fernando Lopes, antiga vila operária da Fundição Capunga.
Waypoint

Bairro do Derby

A história recente do bairro do Derby tem origem em 1888. O local era conhecido como Estância, por conta da moradia de Henrique Dias, herói negro que combateu os holandeses. Até que o o nome Derrby passou a ser utilizado, por conta de uma pista de corrida de cavalo construída pela Sociedade Hípica Derrby Club, que funcionou entre 1888 e 1898. O Derby era um dos locais preferidos pela aristocracia. Lá praticavam hipismo e descansavam durante o verão na beira do Capibaribe. A pista de corrida de cavalos, no entanto, foi deixada de lado pela população e, então, comprada pelo Coronel Delmiro Gouveia, que transformou o local num complexo que contava com o Mercado Modelo Coelho Cintra, além de Grande Hotel Internacional num patamar de luxo superior aos demais da época. Tudo que era possível para época era encontrado no Mercado, até que um incêndio o destruiu em 1900. A própria polícia foi a causadora do fogo, por perseguição política à Delmiro. Contam pesquisadores que Mercado Modelo praticava preços abaixo dos da concorrência, gerando desentendimento com então prefeito da cidade, Esmeraldino Bandeira, e com então vice-presidente da República, Rosa e Silva. Morando na Europa e com dívidas em Pernambuco, Delmiro hipotecou o prédio que, após a reforma, abriga até o hoje o Quartel General da Força Pública, atual Quartel da Polícia Militar de Pernambuco. Ao longo das décadas, sobretudo no governo de Sérgio Loreto, forma realizados aterros e drenagens na parte em que atualmente está a Avenida Agamenon Magalhães. Nessa época também, entre 1924 e 1926, foi construída a Praça do Derby projetada por Burle Marx, Ele trouxe palmeiras direto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ao redor dela, diversos casarões que hoje são consultórios médicos e edifícios, abrigavam a nobreza da cidade.
Музеј

Memorial da Medicina de Pernambuco

O Memorial da Medicina de Pernambuco é um espaço de memória da Universidade Federal de Pernambuco, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC) e à Diretoria de Extensão e Cultura (DEC), e instalado no antigo prédio da Faculdade de Medicina do Recife. Seu prédio, construído para abrigar a primeira Faculdade de Medicina do Estado, é tombado como Patrimônio Cultural Pernambucano. A Faculdade de Medicina funcionou nesta edificação desde sua inauguração, no dia 21 de abril de 1927 até o ano de 1958, quando foi transferida para o Campus Universitário. O prédio foi restaurado e reinaugurado em 27 de novembro de 1995, com a designação de Memorial da Medicina de Pernambuco. Hoje se constitui no mais importante centro de cultura da área da saúde de Pernambuco, pela produção e difusão de conhecimentos científicos e cultural que contribuem para promoção da saúde e preservação de sua memória. As instalações do Memorial da Medicina de Pernambuco servem para as atuações das instituições ali sediadas, bem como para eventos previamente agendados. Para isso dispõe, em funcionamento, de 4 auditórios. O prédio do Memorial da Medicina de Pernambuco abriga, além do Memorial: Academia Pernambucana de Medicina; A regional pernambucana da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores; Academia de Artes e Letras de Pernambuco; Instituto de Pesquisa e Estudos da Terceira Idade- IPETI; Museu da Medicina de Pernambuco; Instituto Pernambucano de História da Medicina; e Associação dos Ex-alunos da Faculdade de Medicina do Recife. Histórico do prédio No Século XIX o local abrigava o hotel de Delmiro Gouveia. Em 21 de abril de 1927 foi inaugurada, em nova construção especialmente feita para tal fim, a Faculdade de Medicina do Recife. Seu diretor, Octavio de Freitas, foi o idealizador e batalhou para sua construção e transferência da Faculdade, anteriormente funcionando na Rua Barão de São Borja. Com a criação da Universidade do Recife, a Faculdade de Medicina e seu prédio passaram a fazer parte dessa universidade. Com a transferência da Faculdade de Medicina para o novo campus da Universidade Federal de Pernambuco, sucessora da Universidade do Recife, o prédio foi utilizado pelo Colégio Militar do Recife. Após a transferência do Colégio Militar para novas instalações no Engenho do Meio, o imóvel ficou fechado, sem manutenção. Em 21 de novembro de 1995 o prédio, após restauração, foi reinaugurado, assumindo o Memorial da Medicina de Pernambuco a sua administração.
Waypoint

FundaJ do Derby

O Edifício Ulysses Pernambucano, sede da Fundaj do Derby, construído na década de 1930, na ocasião, foi sede da Escola de Aprendizes Artífices, a qual deu início às escolas técnicas no Brasil. Ele passou a ser parte da Fundação na década de 1980, quando a escola se mudou para o atual campus do IFPE, próximo à UFPE. Sua arquitetura mistura o eclético com o moderno, possui vitrais elaborados em justaposição, feitos pelo artista alemão Heinrich Moser, que contam um pouco da sua história, fazendo referência à aludida Escola de Aprendizes Artífices. O Campus Recife do IFPE apresenta tradição na formação de cidadãos e profissionais. Já funcionou em diferentes prédios, recebeu diversos nomes, enquanto instituição de ensino, protagonizou episódios relevantes no cenário nacional e registrou, à luz de alguns aspectos, sua marca de pioneirismo. Um retorno no tempo nos leva a 1909, ano de fundação da então Escola de Aprendizes Artífices, que funcionava no antigo Mercado Delmiro Gouveia. A Unidade atendia jovens de classes socialmente desfavorecidas do Recife, com oficinas de mecânica, marcenaria, carpintaria, alfaiataria e desenho, bem como ministrava aulas referentes ao ensino básico. A Instituição passou a funcionar, a partir de 1923, nas instalações do Ginásio Pernambucano e, só em 1933, conquistou sede própria, no caso, o atual prédio da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby. Na nova fase, a Instituição chegou a receber a visita do presidente Getúlio Vargas. Alunos, concluintes de 1939, foram cedidos pela escola para combaterem na Segunda Guerra Mundial. Neste percurso, a Instituição recebeu diferentes nomes, a saber: Liceu Industrial de Pernambuco, Escola Técnica do Recife e Escola Técnica Federal de Pernambuco. Aqui foi criado o primeiro curso de Segurança do Trabalho do País. Também, neste espaço, registrou-se a primeira greve estudantil do Brasil. Face aos estragos decorrentes da histórica enchente de 1975, a unidade de ensino, instalada às margens do Capibaribe, demandou a construção de uma nova sede: o prédio onde atualmente funciona o Campus Recife. O ano de 1999 marcou mais uma alteração não somente no nome, mas também no perfil da Instituição. Agora para Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco (CEFET-PE). Somente a partir do final de 2008, com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, pela Lei 11.892, a Instituição passou a apresentar a atual proposta, voltada à Educação Profissional e Tecnológica.
Sacred architecture

Igreja de Nossa Senhora da Assunção(Fronteiras) - Memorial Dom Hélder Câmara

A igreja de Nossa Senhora da Assunção fica situada na rua das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, e possui um estilo barroco. Nossa Senhora da Assunção é uma santa tão consagrada que a sua imagem, é carregada, também, durante a procissão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário da Boa Vista. No ano de 1630, porém, todo o terreno onde estava a igreja fazia parte de um grande sítio, cujo proprietário era um rico colono: João Velho Barreto. Lá, se encontravam uma grande vivenda e algumas casas bem modestas, pertencentes aos demais moradores. Documentos históricos registram que, durante a invasão holandesa, aquele sítio foi ocupado por 180 homens, sob o comando do capitão Antônio Ribeiro de Lacerda. Essa ocupação durou bem pouco tempo e, em seguida, a localidade do posto do Passo do rio dos Afogados passou a ser defendida por Luís Barbalho Bezerra, junto com sua tropa de índios e colonos. Dessa vez, para lutar contra os holandeses, surgem vários pontos fortificados, assim como estâncias, e a defesa confiada a Henrique Dias, um oficial negro notabilizado durante a Batalha dos Montes Guararapes, e uma tropa de homens negros. Com uma boa posição estratégica, Henrique Dias consegue causar uma série de derrotas aos flamengos. Isso enfureceu os comandantes do exército batavo: Segismund Von Sckoppe e Gillis Van Luffel. No dia 5 de agosto de 1648, então, o general escolhe dois mil soldados flamengos e, sob o seu comando, ataca furiosamente a estância de Henrique Dias. Passando à ofensiva, o oficial negro reage de tal maneira que os holandeses perdem tal batalha, deixando 50 mortos no campo e mal conseguindo levar o alto contingente de feridos. Com o objetivo de aterrorizar ainda mais os invasores, os negros daquela tropa vencedora decapitam os flamengos mortos, espetam suas cabeças em lanças e expõe-nas à visão pública. Quase três séculos depois desse episódio, cabe lembrar, a polícia volante, tentando exterminar o cangaço, agiu de maneira similar com o bando de Lampião. Essa vitória estupenda exacerba o espírito religioso de Henrique Dias. Neste sentido, em 1646, ele decide mandar construir uma capelinha para Nossa Senhora da Assunção (a qual, segundo pensava, havia lhe protegido naquele combate), enquanto esperava poder erguer, no final das lutas, um monumento maior em homenagem à Virgem. Em respeito aos inúmeros merecimentos dos heróis da guerra de libertação, e servindo à Coroa lusa nas guerras de Estado, são doadas a Henrique Dias, em primeiro lugar, as casas que pertenceram ao holandês Van Luffel. Ele ganha, ainda, as olarias de Gaspar Roque, e todas as terras anexas a elas, junto ao rio Capibaribe, até a ilha de Santo Antônio. Além dessa relação de bens, D. João IV doou a Henrique Dias "a concessão de uma data de terras para fundação de um monumento cuja época e extensão nada se sabe". É nessa localidade, precisamente, das Fronteiras da Estância de Henrique Dias, que é erguida a capela de Nossa Senhora da Assunção. O valente governador dos negros, no entanto, apesar de todas as doações recebidas, morreu pobre. Por ordem do governador Brito Freire, todas as despesas do seu funeral foram pagas pela Fazenda Real. Somente em 1748 são concluídos os trabalhos da construção de uma nova igreja, em substituição à antiga capelinha, de acordo com a solicitação do Regimento de Henrique Dias (ou Regimento dos Henriques), para cumprir uma promessa feita pelo falecido governador negro. Nesse templo, contudo, durante décadas, a administração era feita somente por pessoas negras. O mesmo caso em relação à sua freqüência. No dia 19 de novembro de 1871 funda-se, no consistório da igreja, a Sociedade dos Henriques, cuja meta era a de manter viva a devoção à Nossa Senhora da Assunção e administrar o templo da Estância. O seu primeiro presidente foi Salvador Henrique de Albuquerque, um major reformado. Quando o entusiasmo pela fundação da igreja se esgotou, ela caiu no ostracismo, passando a ser administrada por irmandades estrangeiras e pelas irmãs de caridade de um colégio das proximidades. Os atos religiosos continuam sendo celebrados. Presentemente, a igreja de Nossa Senhora da Assunção encontra-se bem conservada. E, em sua fachada, pode-se ainda apreciar volutas, assim como o emblema real que lhe deu o título Capela Imperial. Dom Hélder Câmara Hélder Pessoa Câmara, nasceu na cidade de Fortaleza, estado do Ceará, no dia 7 de fevereiro de 1909. Filho de João Eduardo Torres Câmara Filho, maçom, jornalista, crítico teatral e funcionário de uma firma comercial. Sua mãe D. Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária. Formaram uma família simples e tiveram treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver, os demais morreram vítimas de uma epidemia de gripe, que assolou a região no ano de 1905. O décimo primeiro filho do casal recebeu o nome de Hélder, por escolha do pai, que é a denominação de um pequeno porto, situado na Holanda. A sua tendência religiosa veio a florescer a partir dos quatro anos de idade, devido a influência dos padres lazaristas, que atuavam na Arquidiocese de Fortaleza, conhecido por Seminário da Prainha. Recebeu sua primeira eucaristia aos oito anos de idade e aos quatorze entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, onde fez os cursos preparatórios, e depois cursou filosofia e teologia. Durante os estudos sempre demonstrou desenvoltura nos debates filosóficos e teológicos. Na festa da assunção de Nossa Senhora, comemorada no dia 15 de agosto de 1931, o seminarista Hélder, foi ordenado sacerdote, por especial autorização da Santa Sé, em virtude de ainda não ter completado a idade mínima exigida para ordenação, que era a de 24 anos. Sua primeira missa foi celebrada no dia seguinte a sua ordenação aos 22 anos de idade. Em seguida foi nomeado diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará, cargo que exerceu por cinco anos. Depois foi transferido para o Rio de Janeiro, onde morou e trabalhou por 28 anos. Colaborou com revistas católicas, organizou o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, exerceu funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação, fundou a Cruzada São Sebastião, para atender favelados e o Banco da Providência, destinado a ajudar famílias pobres. O Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no dia 20 de abril de 1952, o elegeu Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro. No período em que permaneceu lá, exerceu o cargo de Secretário Geral da CNBB, implantou os ideais da Organização, promovendo interação entre os bispos do Brasil, participou de congressos para atualização e adaptação da Igreja Católica aos tempos modernos, sobretudo integrando a Igreja na luta em defesa da justiça e cidadania. Aos 55 anos, Dom Hélder Câmara, foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife. Assumiu a Arquidiocese, em 12 de março de 1964, permanecendo neste cargo durante vinte anos. Na época em que tomou posse como Arcebispo em Pernambuco, o Brasil encontrava-se em pleno domínio da ditadura militar. Momento político este, que o tornou um líder contra o autoritarismo e os abusos aos direitos humanos, praticado pelos militares Desempenhou inúmeras funções, principalmente em Organizações não Governamentais, movimentos estudantis e operários, ligas comunitárias contra a fome e a miséria. Como sacerdote representante da Igreja Católica, Dom Helder pôde levantar a sua voz em defesa da comunidade sem vez e sem voz na escala social. Teve como ideário nas suas pregações a luta pela fé cristã e a caridade aos pobres e oprimidos. Paralelamente às atividades religiosas, Dom Helder criou projetos e organizações pastorais, destinadas a atender às comunidades do Nordeste, que viviam em situação de miséria. Devido a sua atuação política e social, sua pregação libertadora em defesa dos mais pobres, seja pela denúncia da exploração dos países subdesenvolvidos, ou pela sua pastoral religiosa em prol da valorização dos pobres e leigos, foi chamado de comunista, e passou a sofrer retaliações e perseguições por parte das autoridades militares. Foi impedido de ter acesso aos meios de comunicação de massa e de divulgar suas mensagens durante todo o período ditatorial. Apesar de tudo, a personalidade de Dom Hélder ganhava, cada vez mais, dimensão no Brasil e no exterior. Recebia, constantemente, convites para proferir palestras e presidir solenidades nas universidades brasileiras e em instituições internacionais. No final da década de 90, com o apoio de outras instituições filantrópicas, lançou oficialmente, na Fundação Joaquim Nabuco, a campanha Ano 2000 Sem Miséria. Para ele era grande o constrangimento em saber que, às vésperas do segundo milênio do nascimento de Jesus Cristo, milhares de pessoas ainda vivessem na miséria. Dom Hélder escreveu diversos livros que foram traduzidos em vários idiomas, entre os quais, japonês, inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, norueguês, sueco, dinamarquês, holandês, finlandês. Recebeu cerca de seiscentas condecorações, entre placas, diplomas, medalhas, certificados, troféus e comendas. Foi orador de massas no Brasil e no exterior, onde expressou, com densidade e força, seus ideais, posicionamentos, questionamentos religiosos, políticos e sociais. Foi distinguido com 32 títulos de Doutor Honoris Causa, vinte e quatro prêmios dos mais diversos órgãos internacionais. Diversas cidades brasileiras concederam-lhe cerca de 30 títulos de cidadão honorário. O Arcebispo D. Hélder Câmara é lembrado na história da Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil e no mundo, como um Apóstolo, que soube honrar o Brasil e usar o carisma de defensor da paz e da justiça para os filhos de Deus. No dia 27 de agosto de 1999, a figura do grande peregrino do povo, com sua aparência frágil e a palavra forte, vitimada por uma parada cárdio-respiratória, calou a voz, para dar início a infinita caminhada para a verdadeira vida, que era assim como ele via morte. "[...] quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quand pergunto pelas causas da pobreza me chamam de comunista [...]" Dom Hélder Câmara "O DOM da Paz" Recife, 22 de julho de 2004.
Sacred architecture

Colégio Salesiano - Praça Chora Menino

Os Salesianos instalam-se definitivamente no Recife em fevereiro de 1895 O rico colono João Velho Barreto, no começo do século XVII, possuía uma grande extensão de terras que adquire o nome de Mondego. Essa denominação, com certeza, deve ter sido colocada por um dos colonizadores lusos, ao relembrar os campos do Mondego em Portugal. Uma descrição do referido local foi feita por Luís de Camões, em os Lusíadas, quando o poeta versejou sobre os belos campos do Mondego, no episódio da morte de Dona Inês de Castro. As terras do Mondego pertenciam, originariamente, à Estância de Henrique Dias, situando-se além e aquém do sítio do Mondego, no lugar Salinas, da freguesia da Sé de Olinda. Outra referência antiga ao sítio do Mondego, diz respeito a uma estrada de largura regular, aberta em linha reta, cujo primeiro trecho é designado de Rua do Mondego. Lá é construído um prédio grande e imponente, com dois pavimentos. Por iniciativa da proprietária das terras - Dona Ana Maria dos Anjos -, ergue-se uma capela naquela estrada, sob a invocação da Sacra Família e de São João. As obras de construção da capela começam em 1755, porém são finalizadas em 1888. O ano de 1831 trouxe muitas comoções políticas, tanto para o Estado de Pernambuco quanto para o País. No Recife, ocorre a histórica Setembrizada, empreendida por soldados insubordinados, que arrombam, saqueiam e cometem inúmeras atrocidades em casas particulares e estabelecimentos comerciais. As lutas duram três dias (14, 15 e 16 de setembro de 1831), deixam um grande número de mortos, mas os indisciplinados são vencidos. Segundo Gilberto Freyre documenta, durante o saque ao Recife correu muito sangue, e os soldados não faziam a menor cerimônia em matar e roubar. As vítimas, que foram bastante numerosas, ganharam sepulturas fora dos limites da cidade: no sítio do Mondego. A partir de então, as pessoas começaram a falar que o lugar havia se tornado mal-assombrado. Talvez porque havia sido enterrado, ali, um grande contingente de vítimas. Pode-se perceber, através desse episódio, como um fato verídico acabou se transformando em lenda, por intermédio da imaginação popular. Espalhou-se a seguinte estória: durante a noite, quem passasse por aquele sítio, ouvia um choro de menino. Assim, após a revolta Setembrizada, em 1831, a região torna-se conhecida como Chora Menino. O local em questão ficava na divisa das freguesias da Boa Vista e das Graças (na estrada que se dirigia para a antiga Passagem da Madalena). Em 1843, surge um periódico no Recife chamado de Chora Menino. Um trecho do primeiro número, saído no dia 29 de maio, dizia o seguinte: O Chora-Menino tem por objeto a recordação das artimanhas e traições dos fingidos liberais, desses que tem sido a causa de intempestivas revoluções, dando lugar a se derramar o sangue brasileiro, a despeito de todas as leis divinas e humanas, bem como aconteceu no lugar acima citado, d’onde esse periódico deriva o seu título... Duas outras informações sobre a localidade: a Estrada do Mondego passou a se chamar Rua Visconde de Goiana; e o Palácio do Mondego funcionou como o Colégio dos Padres Salesianos. Talvez para ficar na lembrança dos pernambucanos, designou-se como Praça Chora Menino, no Paissandu, um pedacinho de terra que pertenceu ao sítio do Mondego. Uma litografia elaborada por Luis Schlappriz, em 1863, documenta os trajes e os tipos da época naquela Praça. Hoje, o pedaço de terra chamado, originariamente, de Chora Menino, encontra-se no perímetro urbano do Recife. Ele faz parte de uma via pública importante - a Rua Paissandu - pela qual circulam muitos transeuntes. Pode-se perceber, então, que o local, hoje, não mete medo em mais ninguém. Setembrizada Foi uma revolta militar ocorrida no Recife, durante os dias 14, 15 e 16 de setembro de 1831, exatamente cinco meses depois da abdicação imperial de Dom Pedro I. O movimento foi iniciado por soldados do Batalhão 14, que saquearam a cidade fazendo fogo, pedindo a volta do ex-imperador. Rebelião até o momento pouco estudada, a Setembrizada teve - segundo o historiador Milton F. de Mello - antecendentes vinculados ao partido "Regressista", composto, em sua grande parte, por portugueses. Tudo começou sob o pretexto de que os soldados não queriam ver fechado o portão do quartel, depois da revista das oito horas. Foram três dias de batalha travada desde os bairros de Boa Viagem, Afogados, Boa Vista até a vizinha cidade de Olinda. O saldo da rebelião: 500 mortos e 800 presos, sendo que estes, posteriormente, foram transferidos para o arquipélago de Fernando de Noronha. Um dos responsáveis pelo fim da rebelião foi o tenente-coronel Antônio José Vitoriano, comandante do 4º Corpo de Artilharia, que foi às ruas combater os revoltosos. Ao final, o tenente enviou um relatório ao Comandante das Armas em Pernambuco, brigadeiro Francisco de Paula Vasconcelos, narrando os espisódios.
Sacred architecture

Antigo Colégio de Nossa Senhora do Carmo

Beneditinos, 92 anos de existência.
Waypoint

Mercado da Boa Vista

O Mercado da Boa Vista, situado na Rua de Santa Cruz, s/n, bairro da Boa Vista, no Recife, foi construído no início de século XIX, porém não se sabe ao certo a data da sua inauguração. No local já funcionou uma estrebaria e o cemitério da Capela, hoje, igreja de Santa Cruz. Há poucos registros oficiais, porém na época da escravidão foi também um mercado de escravos. Apesar de ter sofrido diversas intervenções e reformas, o Mercado da Boa Vista mantém até hoje muitas de suas características arquitetônicas. O portal, em ferro, conserva até hoje em suas pilastras um símbolo que identifica o local onde se negociavam ou leiloavam os escravos negros trazidos da África, chamado atualmente pelos comerciantes de maçã portuguesa. Seus boxes, onde atualmente são comercializados cereais, verduras, carnes, peixes, frios, ervas, artigos de armarinho e abrigam pequenos bares de comida regional eram destinados à expor e vender escravos africanos que chegavam ao Brasil através de contrabando.
Sacred architecture

Igreja de Santa Cruz

Localizada no Pátio da Santa Cruz, no bairro da Boa Vista, a Igreja de Santa Cruz foi concluída entre os anos de 1725 e 1732. Em frente à igreja havia um Cruzeiro de pedra, mas, em 1821, o governador pernambucano Luís do Rêgo Barreto, mandou demoli-lo. Sobre o templo, o registro histórico mais antigo que se possui advém da terceira década do século XVIII. Trata-se do Breve Pontifício do Papa Clemente XII, de 7 janeiro de 1732, concedendo indulgências plenárias à Irmandade do Senhor Bom Jesus da Via Sacra, "que se havia de erigir canonicamente pelo ordinário lugar, na paroquial Igreja da Santa Cruz, do lugar da Boa Vista, da diocese de Pernambuco, debaixo da invocação da mesma Santa Cruz, chamada da Via Sacra". Existe um outro registro que, atendendo ao pedido de um missionário jesuíta - o padre Gabriel Malagrida -, o governador de Pernambuco, Henrique Luís Pereira Freire, no dia 23 de setembro de 1742, concedeu uma licença a fim de que ele construísse um recolhimento para mulheres, junto à Igreja de Santa Cruz, na Boa Vista. Contudo, não se tem qualquer informação se tal recolhimento foi feito. A Igreja de Santa Cruz apresenta uma só torre, em seu lado esquerdo. Nela, estão eretas as seguintes Irmandades: Confraria do Senhor Bom Jesus da Via Sacra, Irmandade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e Irmandade da Senhora Santana. Excetuando-se os altares da ladainha e a capela-mor, todas as demais talhas ornamentais foram obra do mestre entalhador Antônio Basílio de Oliveira, no final do século XVIII. Apesar de o templo ser modesto, ele serviu de paróquia até 1793, ano em que o Santíssimo Sacramento foi transferido para a igreja da Boa Vista - a atual Igreja Matriz da Boa Vista - cuja construção não estava concluída, ainda, naquela época. Até 1920, no último domingo antes da Páscoa, saía a procissão do Encontro no Pátio da Santa Cruz. Segundo escreveu um cronista que viveu na época, naquela procissão, o andor da Mãe Angustiada se encontrava com o andor do Filho Sofredor. Quando os dois andores se uniam, a procissão percorria as ruas do bairro da Boa Vista. O Pátio da Santa Cruz, por sua vez, era um logradouro bastante familiar e conhecido pelos recifenses. Nele, se davam as festas religiosas de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de Nossa Senhora de Santana. Essas duas Irmandades continuam mantendo, ali, um capelão, para o exercício de todos os atos religiosos. As festas da igreja, porém, se realizam todo mês de agosto. O bairro da Boa Vista, em especial, representava um dos locais mais limpos e recatados do Recife. Além de procissões, por ele costumavam passar quase todos os blocos carnavalescos, maracatus, caboclinhos, entre outras manifestações existentes no folclore nordestino. A Rosário da Boa Vista era uma rua estritamente familiar, com calçadas e janelas cheias de gente à noite, que desemboca no Pátio da Santa Cruz e na rua da Conceição, rua onde foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Na época da sua adolescência, lembra a autora, um dos grandes desafios da juventude, durante o Carnaval, era o de conseguir apertar a mão de Dona Santa, a mãe-de-santo mais idosa e conhecida de todo o maracatu pernambucano. Aberta ao público, constantemente, e sempre limpa e conservada, a Igreja de Santa Cruz, mesmo sem o esplendor do século XIX e suas célebres procissões na Quaresma, costuma servir de palco para alguns eventos não-religiosos, como, por exemplo, concertos de música clássica.
Waypoint

Praça Maciel Pinheiro - Coração do Recife

Antes da II Guerra Mundial, em decorrência do anti-semitismo e das graves perseguições racistas, muitas famílias judias de origem européia migraram para Pernambuco e, de início, vieram morar no bairro da Boa Vista. Situada no coração deste bairro, a Praça Maciel Pinheiro tornou-se o reduto da colônia judaica e o principal fórum de encontros e debates por parte dos imigrantes. Nos bancos e imediações da praça, o que mais se ouvia era o iídiche, língua falada pelos askenazim, os judeus provenientes da Europa Oriental. Apesar de ser pequena, a praça possui uma bela fonte de pedra contendo quatro leões, máscaras, ninfas e uma índia munida de arco e flecha. A Praça Maciel Pinheiro representa o coração do Recife. Dela, ao mesmo tempo, saem e/ou chegam várias ruas importantes. A primeira delas é a rua Imperatriz Tereza Cristina, onde se concentram lojas comerciais e a Igreja-Matriz da Boa Vista. Outra é a rua do Aragão, local que abriga o comércio de móveis. A rua Manoel Borba é a terceira que sai da Praça. Nela estão muitas óticas e o Hotel Central, o primeiro prédio alto da cidade. No fim daquela rua, chega-se à Praça Chora Menino. A quarta rua que sai da Praça Maciel Pinheiro é a do Hospício. Em seu número 81, vê-se o Teatro do Parque e, no imóvel de número 130, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, o primeiro instituto histórico regional do Brasil, fundado em 1862. A alguns metros do Teatro do Parque, na rua Martins Júnior número 29, encontra-se a Sinagoga Israelita do Recife, inaugurada em 1926. A quinta rua que sai da Praça Maciel Pinheiro é a da Conceição, onde se encontram as casas de leilões e a Igreja Rosário da Boa Vista, templo no qual estão os restos mortais de Gervásio Pires e Pereira da Costa. Finalmente, as ruas da Matriz e da Alegria representam a sexta e sétima vias que partem daquele logradouro público. Em uma transversal dessas vias, situa-se a Rosário da Boa Vista, uma rua estreita que desemboca no Pátio de Santa Cruz.
Sacred architecture

Igreja Matriz da Boa Vista

Situada no bairro da Boa Vista, a Igreja Matriz da Boa Vista é considerada como um dos templos mais bonitos do Recife. A sua construção teve início em 1784, porém os trabalhos só foram concluídos 105 anos depois (em 1889), graças aos novos recursos votados pela Assembleia Provincial de Pernambuco. O que há registrado sobre o surgimento dessa igreja? A Irmandade do Sacramento da Santa Cruz, situada no pátio do mesmo nome, já funcionava no Recife desde 1771. A fim de que construísse uma igreja própria, essa Irmandade solicitou ao rei, em 1781, que lhe doasse um terreno localizado na Boa Vista, de frente para a antiga Rua do Hospício dos Padres Esmoleres de Jerusalém. O rei atendeu aquela solicitação, doando à Irmandade um terreno no final do Aterro da Boa Vista. Vale aqui registrar, porém, duas observações importantes: esse Aterro é chamado, presentemente, de Rua da Imperatriz Teresa Cristina; e, até as primeiras décadas do século XX, era tão estreito o trecho que ia da Rua da Imperatriz até o atual Teatro do Parque, que mal comportava os bondes puxados a burro. Os trabalhos de construção de uma grande igreja foram começados e, depois, o templo foi transformado em matriz, com preponderância sobre todo o movimento religioso do bairro da Boa Vista. Mesmo inacabada, a igreja foi aberta ao culto no dia 4 de maio de 1784 e, durante muito tempo, serviu ainda de cemitério local, conforme as atas da Câmara Municipal do Recife, em 1849. Naquele cemitério encontram-se: o túmulo do padre Jerônimo de Assunção, um pároco da matriz da Boa Vista, falecido em 1959; e os jazigos de José Mamede Alves Ferreira (1867) e Olívio Montenegro (1962). Não foram encontrados três túmulos que ali deveriam existir: o do revolucionário Filipe Nery Ferreira, o do professor Aprígio Guimarães, e o do bispo dom Tomás de Noronha. Os despojos mortais de Tobias Barreto de Meneses, que também estavam nessa matriz, foram levados para o Estado de Sergipe em 1920. O altar-mor da igreja não apresenta imagens: apenas o Cordeiro de Deus e o Santíssimo Sacramento, gravados na própria pedra de cantaria (por um artista pernambucano), e que são expostos diariamente aos fiéis. No interior da matriz, existem vitrais e pinturas de valor. Entre duas figuras de mulheres sentadas, vê-se um cisne, com as asas abertas e um longo pescoço. Estão presentes anjos, vasos, mostradores de relógios e guirlandas. Ladeando o oratório, encontram-se as bandeiras pernambucana e brasileira. Na parte da frente da igreja encontram-se as estátuas dos evangelistas São Marcos, São Mateus, São Lucas e São João; e, de leste a oeste, duas torres altas, com galos sobre elas, como ventoinhas. A fachada, toda em pedra de cantaria e sem pintura, possui um estilo renascentista, equivalente ao santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, cidade situada ao norte de Portugal. Os blocos de pedras vieram de Portugal, sendo necessário de três a quatro juntas de bois para conseguir retirá-los dos navios lusos, que estavam ancorados no Porto do Recife, e levá-los até às obras. Observa-se na fachada, ainda, oito grossas colunas, de capitéis dóricos (na parte inferior) e capitéis coríntios (na parte superior). Do lado esquerdo do corredor da igreja, é possível apreciar três painéis pintados a óleo: Jesus curando um paralítico, Moisés fazendo chover maná no deserto, e a última ceia com o Mestre e os apóstolos. Do outro lado do corredor estão expostas várias telas, pintadas por renomados artistas recifenses. No século XIX, a Igreja Matriz da Boa Vista já era considerada como um templo luxuoso, possuindo, inclusive, cadeirinhas para transportar os senhores párocos, quando estes se destinavam à administração do Santo Viático aos moribundos. Quando ocorreu a grande peste de cólera-morbus, no ano de 1871, da Igreja do Corpo Santo para a Igreja Matriz da Boa Vista, foi levada a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, permanecendo nesse templo por três meses, até que a peste se extinguiu.
Музеј

Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco

Foi fundado no dia 28 de janeiro de 1862, constituindo-se no primeiro instituto histórico regional do Brasil. Seu primeiro presidente eleito foi o Monsenhor Francisco Muniz Tavares. Comenta-se que o Instituto teve suas origens a partir de críticas feitas pelo Imperador Pedro II, quando da sua visita ao Recife, em 1859, sobre o descaso e à indiferença dos intelectuais pernambucanos quanto ao passado histórico do Estado. No início, funcionou em dependências do convento do Carmo, depois na Biblioteca Pública Provincial do mosteiro de São Francisco e posteriormente num prédio na praça da Concórdia, hoje, praça Joaquim Nabuco. De 1912 a 1919, instalou-se no Ginásio Pernambucano, de onde mudou-se, definitivamente, para o prédio n. 130, da rua do Hospício, um casarão patriarcal de dois andares, porta larga de entrada, três janelas e varanda, próximo ao Teatro do Parque. Sob a guarda do seu Museu, aberto ao público, estão documentos e relíquias que são fontes valiosas para a história de Pernambuco, como uma coluna em pedra com o brasão e a coroa portugueses datando de 1535, que serviu de marco divisório entre as capitanias de Pernambuco e Itamaracá; o brasão de armas de Duarte Coelho; os bustos de Frei Caneca, Oliveira Lima, Alfredo de Carvalho e Mário Melo, o primeiro prelo do jornal Diario de Pernambuco; um canhão holandês de bronze; pilares norte e sul do demolido arco de Santo Antônio; retratos a óleo e quadros de personalidades como Maurício de Nassau, Dom Pedro II, o bispo Azeredo Coutinho, João Alfredo, o Conde da Boa Vista; dois painéis sobre a primeira e a segunda batalha dos Guararapes; estampas preciosas do Recife antigo; uma coleção numismática; mobiliário pernambucano do século XIX; objetos e manuscritos raros. Todo o seu acervo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Possui também uma biblioteca com um acervo importante e obras raras para a história pernambucana. Publica, desde outubro de 1863, a Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, um dos mais importantes e raros periódicos históricos do País. Teve como sócios, entre muitos outros, historiadores e intelectuais como José Higino, Pereira da Costa, Alfredo de Carvalho e José Antônio Gonçalves de Mello, que foi seu presidente de 1965 a 2000.
Мост

Ponte da Boa Vista

Considerada a ponte mais típica e original do Recife, ela liga atualmente a rua Nova, no bairro de Santo Antônio, à rua da Imperatriz, na Boa Vista. Sua origem é do tempo dos holandeses. Em 1640, o príncipe Maurício de Nassau mandou construir uma ponte por onde os moradores pudessem atravessar o rio Capibaribe, do continente para a ilha de Santo Antônio, e desta para o Recife, indo e voltando continuamente sem estorvo. A ponte holandesa da Boa Vista, assim chamada por ligar o bairro da Boa Vista ao de Santo Antônio ia da frente do Palácio da Boa Vista, onde hoje se encontra o convento do Carmo, até a altura correspondente ao local onde foi construída depois a Casa de Detenção, atual Casa da Cultura. Foi construída em sete semanas, de madeira resistente e era guarnecida por parapeitos, para que não detivessem o caminho do rio quando as águas subissem, principalmente nas luas cheias. Segundo documento de 1699, media 3.000 palmos. Essa primeira ponte da Boa Vista resistiu por um século, e poderia ter resistido mais, se o governador da província de Pernambuco, Henrique Luís Pereira Freire (1737-1746), não a tivesse destruído para construir uma outra em local diferente, nos meados do século XVIII. Essa nova ponte, construída no mesmo local da que existe hoje, era também em madeira e media 899 palmos de comprimento por 20 de largura. Passou por vários reparos, sendo praticamente reconstruída pelo engenheiro Antônio Bernardino Pereira do Lago, em 1815, quando recebeu gradis de ferro e calçamento com seixos irregulares trazidos da ilha de Fernando de Noronha, além de varandas, de cada lado, onde foram colocados bancos de madeira. Os bancos da ponte da Boa Vista ficaram famosos na cidade. Segundo Pereira da Costa, durante o dia eram ocupados por mendigos e à tardinha eram disputados pelos faladores da vida alheia, quando enterravam-se os vivos e desenterravam-se os mortos. Surgiu, inclusive, um periódico intitulado A Ponte da Boa Vista, cujo primeiro número circulou no dia 11 de junho de 1835, trazendo abaixo do título uma alusão aos apreciados e decantados bancos.Segundo Luis do Nascimento, A Ponte da Boa Vista publicou mais sete edições, em 1835, e mais seis no ano de 1836, todas anunciadas pelo jornal Diario de Pernambuco. Em agosto de 1874, por ordem do então governador da província, Henrique Pereira de Lucena, o futuro Barão de Lucena, foram iniciadas as obras de reconstrução da atual ponte da Boa Vista, dessa vez com projeto do engenheiro Francisco Pereira Passos, que lhe deu uma aparência mais moderna e menos provinciana. Desapareceram os famosos bancos. Com estrutura inteiramente metálica, fabricada na Inglaterra, toda em ferro batido, a nova ponte foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1876. Media 145,10 m de comprimento por 13,224 m de largura, com duas passarelas laterais de 2 m de largura, destinadas aos pedestres, e um vão central para veículos e animais, medindo 7,70 m. Com a aparência de uma ponte ferroviária é muito semelhante a Ponte Nova, de Paris, construída, em 1578, no reinado de Henrique III. Existem nas suas quatro pilastras de entrada, diversas inscrições que registram datas e fatos históricos relevantes de Pernambuco e do Brasil, como a invasão dos holandeses (1630); as Batalhas das Tabocas, de Casa Forte (1645) e dos Guararapes (1648-1649); a restauração de Pernambuco (1654); a Guerra dos Mascates (1710); a Revolução de 1817; a Confederação do Equador (1824); a abdicação de Pedro I e início do reinado de Pedro II (1831). Durante as décadas de 1940 e 1950, a ponte era um local importante na vida social da cidade. Pelas suas passarelas laterais desfilavam as últimas versões de vestidos, chapéus e maquiagens. Surgiram também os fotógrafos do retrato instantâneo, que ofereciam seus serviços e faziam ótimos negócios. Na época, as máquinas fotográficas ainda eram uma novidade. Parcialmente destruída pelas enchentes do rio Capibaribe em 1965 e 1966, a ponte da Boa Vista foi restaurada, em 1967, na gestão do então prefeito Augusto Lucena. A restauração, no entanto, a descaracterizou um pouco. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) embargou a obra, porém suas passarelas já haviam sido alargadas, seus pilares unidos por um revestimento de concreto até o nível da água e toda a estrutura do lastro inferior já havia sido concretada.
Waypoint

Praça Joaquim Nabuco

A pequena e triangular Praça Joaquim Nabuco, situada no bairro de Santo Antônio, recebeu esse nome em 1915, como uma das homenagens ao grande abolicionista brasileiro Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo. Antes, porém, o logradouro teve várias denominações: Praça Major Codeceira, Praça da Concórdia, e Largo da Concórdia. Em um passado mais remoto, as águas do rio Capibaribe vinham até aquela Praça, alcançando a rua Nova e a rua das Flores, sendo o local chamado Porto das Canoas. A Praça Joaquim Nabuco fica bem próxima à Ponte Duarte Coelho e, dali tem início várias ruas: das Flores, Frei Caneca, Floriano Peixoto e da Concórdia. Esta última representa um dos pontos comerciais mais importantes do Recife. Naquele logradouro público, funcionou a Confeitaria Glória – empreendimento onde foi assassinado João Pessoa, o Governador da Paraíba, no dia 26 de junho de 1930 - e as sorveterias Botiginha e Gemba – esta última pertencente a um japonês e destruída durante a Segunda Guerra Mundial. No centro da Praça, mais recentemente, existiu o prédio da Escola Modelo, que foi demolido em 1911. Havia, também, o Cinema Moderno, onde hoje se encontra uma loja comercial. Tal Cinema começou a funcionar como um teatro, tendo sido inaugurado no dia 15 de maio de 1913, com as óperas Cavalaria Rusticanae Os Palhaços. Sabe-se que, na Praça Joaquim Nabuco, teve inclusive sua origem o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. O Instituto foi fundado no dia 28 de janeiro de 1862, em uma das dependências do convento do Carmo; passou, posteriormente, para a Biblioteca provincial do Mosteiro de São Francisco; e, depois, para um prédio na atual Praça Joaquim Nabuco. Dali, ele seguiu para o Ginásio Pernambucano, e mudou-se, definitivamente, para a casa de número 130 da rua do Hospício. No centro da Praça, cabe ressaltar, está exposta uma estátua de bronze do abolicionista, apresentando sua mão direita levantada, como se estivesse discursando. O monumento foi esculpido pelo artista João Bereta de Carrara e inaugurado em 1915, em comemoração à extinção das Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários. Próximo àquele monumento, há duas outras estátuas. A primeira, a Glória, uma mulher que coloca uma coroa de louros aos pés do abolicionista; e, a segunda, a de um escravo com os grilhões rompidos. No grande pedestal das estátuas, encontram-se gravadas as seguintes palavras: A /Joaquim Nabuco/ o/ Povo Pernambucano Por fim, vale registrar que, na Praça Joaquim Nabuco, esquina com a rua da Concórdia, encontra-se o antigo restaurante Leite, um dos mais tradicionais da cidade do Recife. Neste restaurante, em mármore, há um registro à vitória daqueles que lutaram contra a escravidão, podendo-se ler as seguintes palavras: 13 de Maio de 1888. Homenagem do Insto. Pernambucano aos Libertadores da Raça Escrava no Brasil. 13 de Maio de 1905.
Sacred architecture

Igreja Nossa Senhora do Carmo

Quase um século depois de os primeiros Frades Carmelitas terem chegado ao Brasil em 1580, dando início à construção do Convento do Carmo de Olinda, em 1654, a Ordem do Carmo se estabeleceu no Recife, com as obras de construção do Convento e da Igreja do Carmo do Recife, iniciadas em 1665 pelo Capitão Diogo Cavalcanti Vasconcelos. Em 1687, o Palácio da Boa Vista, erguido por Maurício de Nassau, foi doado à Ordem e foi integrado ao complexo da Basílica e do Convento. Em 1767, a Igreja Nossa Senhora do Carmo de Recife foi concluída. Em 1909, a Virgem do Carmo foi declarada como Padroeira Secundária do Recife e em 1917 o Papa Bento XV elevou a Igreja Nossa Senhora do Carmo à dignidade de Basílica Menor, sendo agregada à Basílica Maior de São Pedro, na Santa Sé, Estado do Vaticano. No ano de 1938, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o complexo da Basílica e do Convento do Carmo. A Basílica do Carmo tem como missão celebrar, com os fiéis devotos da Virgem Mãe do Carmelo, nosso Senhor Jesus Cristo, em seu copioso exemplo de amor e misericórdia. Os primeiros frades Carmelitas chegaram ao Brasil em 1580, vindos de Portugal. Em 1584, com a fundação de um convento em Olinda, o primeiro do país, realizou-se a primeira festividade brasileira em honra a Nossa Senhora do Carmo. Em 1654 a Ordem do Carmo se estabeleceu no Recife. Em 1665, o Capitão Diogo Cavalcanti Vasconcelos deu início às obras de construção da Basílica mandando executar, às suas expensas, a capela-mor, sem a licença real que, requerida em 1674, só foi concedida em 8 de março de 1687. Neste mesmo ano o Palácio da Boa Vista, erguido por João Maurício de Nassau, foi doado à Ordem para ser integrado ao complexo da Basílica e do Convento. O templo foi concluído quase cem anos mais tarde, em 1767. A igreja é vizinha do Convento do Carmo, onde Frei Caneca fez seus votos religiosos e ordenou-se sacerdote, e onde, presume-se, está enterrado. Em 1909 a Virgem do Carmo foi proclamada Padroeira do Recife, e no dia 21 de setembro de 1919 foi coroada. Em 1917, a igreja foi agregada à Basílica de São Pedro, no Vaticano, e em 1922, elevada à condição d Basílica. A Basílica e o Convento do Carmo foram tombados em 5 de outubro de 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e artístico Nacional (IPHAN). Após a expulsão dos holandeses de Pernambuco, houveuma relutância das autoridades quanto à construção deum convento carmelita em Recife – preferiam que os esforços se concentrassem em reformar o convento de Olinda, arruinado após a invasão batava. Mas, depois de algum tempo houve um consenso, o terreno onde existiam a ruínas de um antigo palácio de Maurício de Nassau foi doado para o Carmelo, que construiu no local uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Desterro. Na mesma época, houve uma reforma institucional na ordem Carmelita – conhecida como reforma de Touraine, ou Turônica (de Tours, França).Os carmelitas de Recife aceitaram a renovação, ao passo que os de Olinda recusaram a reforma. Assim, após algum tempo, o Carmelo recifense floresceu, e o convento de Olinda se estagnou, passando inclusive por alguns anos de decadência. E fins do século XVII, com o apoio do capitão Diogo Cavalcanti de Vasconcelos, veterano da guerra contra os holandeses e cunhado deAndré Vidal de Negreiros, os carmelitas de Recife empreenderam a construção de uma nova igreja, dedicada a Nossa Senhora do Carmo. As obras da igreja e do convento duraram mais de cem anos, iniciando-se por volta de 1680 e se estendendo até o final do século XVIII, quando foram finalizadas a torre e a fachada. A igreja possui nove altares: o altar-mor (dedicado a Nossa Senhora do Carmo), seis altares laterais, e dois grandes altares no transepto (um dedicado ao Santíssimo Sacramento e outro dedicado ao Bom Jesus e a São José). O fronstispício da igreja é um dos mais imponentes de Pernambuco, com muitas volutas esculpidas em pedra, e a torre, de 50 metros de altura, é encimada por um dos mais elaborados bulbos do barroco brasileiro. Em 1917, o papa Bento XV elevou a igreja à dignidade de ‘Patriarcal Basílica Vaticana’, conferindo a ela diversas indulgências e características jurisdicionais específicas. E em 1919, Nossa Senhora do Carmo foi proclamada padroeira de Recife. Ao longo do século XX, sob o pretexto de promover o progresso, políticos locais empreenderam desastrosas modificações no centro antigo de Recife, o que contribuiu para degradar a região e descaracterizar esse importante reduto da história brasileira. Mas a Basílica do Carmo, bem como outras igrejas do local, ainda resistem com sua beleza original, relembrando uma época em que Pernambuco foi uma das mais prósperas regiões do Brasil.
Sacred architecture

Igreja de São Pedro

Apresentando duas elegantes torres simétricas, com tochas nas quinas, e uma cúpula imponente, a catedral de São Pedro dos Clérigos representa uma das obras arquitetônicas religiosas mais expressivas de Pernambuco. Ela possui um estilo barroco, advém do princípio do século XVIII (quando foi instituída a Irmandade de São Pedro dos Clérigos no Recife), e está localizada no bairro de Santo Antônio. A sua construção começou em 1728, mas a igreja só pôde ser sagrada no dia 30 de janeiro de 1782. Segundo o pesquisador José Luiz Mota Menezes, a catedral possui uma grandiosa e refinada arquitetura de concepção: uma fachada rica, que desemboca em pátios exíguos, uma contrafacção principal, espelhando o século XVIII, e um interior que traz a marca do século XVII. A planta da construção foi idealizada por Manuel Ferreira Jácome, um competente mestre-pedreiro. Ressaltam alguns técnicos em arte religiosa que a igreja possui uma nave octogonal sobre um desenho elíptico, e peanhas (pequenos pedestais onde se assentam imagens) octogonais. Os pináculos (pontos mais altos) das duas torres, e a cúpula pequena sobre um tambor octogonal, são desenhos emprestados das torres de Braga, cidade ao norte de Portugal. A frente do templo tem um gradil de ferro que separa o átrio do pátio, e a porta principal encontra-se ladeada por colunas duplas. Internamente, o teto e algumas laterais evidenciam belas pinturas (em tom sombrio) feitas pelo pernambucano João de Deus Sepúlveda. Este profissional trabalhou em regime integral, durante quase quatro anos, deitado em uma cama de lona suspensa por carretéis, para conseguir combinar as tintas importadas de Lisboa e pintar o teto da igreja. A pintura do forro do coro, por outro lado, foi elaborada por seu ajudante, Manuel de Jesus Pinto, entre 1806 e 1807. Manuel é o autor da tela O Primado de São Pedro, que apresenta, em cores claras e brilhantes, o Mestre entregando as chaves da igreja a Pedro. As portas do templo são pesadas, feitas em madeira jacarandá-mármore, e evidenciam belas almofadas trabalhadas. A igreja possui ainda obras delicadas de entalhamento (talhas douradas) e arabescos, com saliências e simetrias, grandes janelas com molduras barrocas e balaustradas, assim como janelas pequenas. Nas laterais do prédio, colunas gêmeas, coríntias, e sereias exóticas, podem ser apreciadas. Há, também, cataventos de anjinhos sobre as torres e, atrás da Igreja, um pequeno cemitério. O altar-mor é entalhado em madeira-mármore, com retábulos (painéis ou quadros decorativos) expressivos, destacando-se, entre suas colunas, as imagens de São Paulo e Santo Antônio de Pádua, que ladeiam a figura de São Pedro. Esta imagem, trazida de Lisboa em 1746, apresenta São Pedro com vestes pontificais e com uma tiara na cabeça. Todas os santos presentes na igreja são datados dos séculos XVIII e XIX. Em alguns dias de festa, os fiéis podem ver um crucifixo bastante pesado, feito em ouro maciço, sendo carregado por São Pedro. Essa jóia possui três cravos de diamantes, e a sua cruz é uma tarrafa sextavada, contendo uma relíquia do Santo Lenho. O crucifixo foi um trabalho do artista-ourives recifense Antônio Rodrigues Machado. A capela-mor da catedral contém um teto em madeira, ricamente esculpido, onde é possível apreciar, sob a forma de medalhões, as armas de São Pedro, as imagens dos 12 apóstolos e dos 4 evangelistas, três balcões ou tribunas (de cada lado), e 36 cadeiras esculpidas em jacarandá. A sacristia apresenta uma pintura no teto (os 12 apóstolos sob a pomba do Espírito Santo), um altar com a imagem de Nossa Senhora da Soledade, e seis retábulos onde foram pintados, em corpo inteiro, o papa São Silvestre, o cardeal-bispo São Galdino, o arcebispo São João Crisóstomo, o papa São Damaso, o cardeal-arcebispo Carlos Borromeu, e o arcebispo-doutor Santo Ambrósio. Na sacristia vê-se, ainda, um lavabo de pedra portuguesa, uma cômoda dourada, dois repositórios e, no piso, encontram-se gravados dois epitáfios, com os seguintes dizeres: AQUI JAZEM OS MAIORES PECADORES PEDEM PELO AMOR DE DEOS HUM PADRE NOSSO E HUMA AVE MARIA - 1829. AQUY JAZ OS MAYORES PECCADORES DO MUNDO PEDEM PELLAS SUAS ALMAS HUMA AVE MARIA PELLO AMOR DE DEOS. Na metade do século XIX, a capela-mor e os altares da igreja, bem como as talhas, as paredes e o teto do prédio, apresentaram muitos desgastes. O padre Inácio Francisco dos Santos foi indicado, na época, por uma comissão da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, para dirigir os trabalhos de reparação da catedral. A despeito de os recursos disponíveis terem sido escassos, aquele padre enfrentou o problema sozinho, conseguindo doações, esmolas, e o apoio de um bispo da diocese. Em sendo assim, contratou vários artistas locais, mandou vir entalhadores de Lisboa - entre os quais o mestre Bernardino José Monteiro -, e, após quase onze anos de árduo trabalho, conseguiu reformar e recuperar a catedral. A nova capela-mor, por sua vez, foi toda desenhada pelo padre Inácio Francisco, tendo ele confeccionado, inclusive, o sacrário de jacarandá presente na igreja. A primeira imagem do templo é a de São Pedro, encontrando-se no pavimento superior. Ela é toda em madeira, com a cruz papal na mão direita e, infelizmente, teve a mão esquerda danificada. Essa imagem é bastante preciosa, uma vez que data da inauguração da igreja. Apenas em procissões solenes, é carregada pelas ruas do Recife. Embora se encontre, hoje, apertada entre ruas estreitas, que foram calçadas nos tempos coloniais, a Igreja de São Pedro dos Clérigos continua esbanjando o seu imponente traçado arquitetônico, à luz do espaço urbano recifense.
Sacred architecture

Basílica da Penha

Encravada no coração do comércio recifense, a história do surgimento da Basílica da Penha remonta aos tempos das Capitanias Hereditárias, quando o conde holandês Maurício de Nassau, então governador, acolheu os primeiros missionários capuchinhos franceses em Pernambuco, em 1642. Posteriormente, os capuchinhos receberam a doação de um vasto sítio e construíram um hospício e uma igreja. Em 1870, capuchinhos de Vêneto (Itália) demoliram a antiga Igreja da Penha e ergueram a imponente e atual Basílica da Penha, concluindo a obra em 1882, liderados pelo habilidoso arquiteto capuchinho Frei Francesco Maria Di Vicenza. O frade arquiteto inspirou-se na basílica veneziana de San Giorggio Maggiore, de estilo Neoclássico. A Basílica da Penha é um marco divisor na história da arquitetura pernambucana e um exemplar, no Brasil, dos primórdios do neoclassicismo em Pernambuco. Em 1964, Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife, criou a Paróquia Nossa Senhora da Pen A origem da localização da Basílica da Penha remonta a um pequeno oratório situado em “Fora de Porta de Santo Antônio”, correspondendo, com uma pequena diferença, ao terreno onde hoje está erguida a construção contemporânea. O oratório foi instituído em 1655 pelos franciscanos capuchinhos franceses e ampliado em 16 de abril do mesmo ano, em um terreno doado por Belchior Alves Camello e sua mulher Joanna Bezerra. Contudo, o templo atual foi construído entre os anos de 1870 e 1882, sendo a única igreja em estilo coríntio do estado de Pernambuco. É inspirada na arquitetura da Basílica de São Jorge Maior. Em 2 de setembro de 2007 iniciou-se uma obra de restauro que durou até o dia 4 de julho de 2014, data de sua reinauguração. As obras custaram cerca de R$ 6 milhões e ainda não terminaram.O trabalho dos restauradores revelou diversos aspectos que estavam perdidos até então pela degeneração causada pelo tempo. A cor original da santa que encima a cúpula externa que é dourada foi restabelecida e foi encontrado um painel de mosaico vitrificado, feito na Itália.[3] A igreja é conhecida pelo tradicional evento d Benção de São Félix onde passou a acontecer em um ambiente próximo da Basílica enquanto durava a reforma.[4] Diferente do estilo barroco utilizado na maioria das igrejas do Recife, a Basílica da Penha tem arquitetura neorenascentista e uma obra arquitetônica de vasto conjunto artístico tanto no seu interior quanto no exterior. A maioria das obras não tem documentação que indique autoria devida, deixando uma lacuna no levantamento histórico do prédio. Dentre as poucas peças de autoria conhecida encontramos, no altar-mor, as figuras de São Francisc e Santo Antônio entalhadas no mármore em baixo relevo com autoria de Valentino Besarel e baixo relevo no altar-mor. Mas há indícios de que que várias obras são oriundas do mesmo escultor. Também encontra-se no altar-mor afrescos de Murillo La Greca.[5]
Building of interest

Mercado de São José

É o mais antigo edifício pré-fabricado em ferro no Brasil, exportado da Europa para o Recife, no final do século XIX. Foi projetado pelo engenheiro da Câmara Municipal do Recife, J. Louis Lieuthier, em 1871, que se inspirou no Mercado de Grenelle, de Paris, e construído pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier, responsável também pela construção doTeatro de Santa Isabel. O Mercado de São José foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1875 e assim chamado por ter sido edificado no bairro de São José. Foi construído no mesmo local do antigoLargo da Ribeira do Peixe, onde eram comercializadas várias mercadorias para o consumo da cidade do Recife. Passou desde a sua criação por algumas reformas, como a de 1906, cujas obras duraram dez meses e a de 1941, quando foram colocados os combogós de cimento, em substituição às venezianas de madeira e vidro. Ambas modificaram a sua feição original mas deixaram intacta sua estrutura de ferro. Em novembro de 1989, uma parte do Mercado foi destruída por um incêndio que danificou sua estrutura. As obras de reconstrução só foram iniciadas quatro anos depois, em 1993, e sua reinauguração ocorreu em 12 de março de 1994. Antigamente, lá se apresentavam mágicos, acrobatas, ventríloquos, ouvia-se sons de pandeiros, zabumbas, cavaquinhos e sanfonas e havia muitos tipos populares, hoje, em grande parte, ausentes do local. O Mercado já foi o maior centro no Recife de cantadores, emboladores e da literatura de cordel. Do ponto de vista arquitetônico é um monumento nacional que não faz parte apenas do patrimônio cultural do Brasil, mas também da humanidade, pois se constitui num raro exemplar da arquitetura típica do ferro, no século XIX. Atualmente, com seus 46 pavilhões, 561 boxes cobertos e 80 compartimentos na sua área externa, além de 24 outros destinados a peixes, 12 a crustáceos e 80 para carnes e frutas, o Mercado de São José é um local onde se encontra o melhor do artesanato regional, comidas típicas, folhetos de cordel, ervas medicinais, artigos para cultos afro-brasileiros, sendo também um importante centro de abastecimento do bairro de São José e um ponto de atração turística na cidade do Recife.
Sacred architecture

Igreja do Corpo Santo

A história da Igreja do Divino Espírito Santo se inicia em meados do século XV. Ao longo dos anos, teve duas denominações até se chamar como hoje a conhecemos. Antes de 1654, era a Igreja Calvinista dos Franceses; após 1654, Igreja de Nossa Senhora do Ó; e a partir de 1855, Igreja do Divino Espírito Santo. No período da dominação holandesa em Pernambuco (1630-1654), na localidade onde hoje existe o templo do Divino Espírito Santo, havia uma Igreja Calvinista dos Franceses que foi construída numa ação conjunta do Conde Maurício de Nassau com o Conselho dos XIX a pedido dos reverendos francesesLa Riviere e Auton. Este Conselho fazia parte da administração da Companhia das Índias Ocidentais e era composto por dezenove diretores, representado por 18 conselheiros regionais e um representante dos Estados Gerais, que se reuniam em Amsterdã e Midelburg, alternativamente. Com o fim da invasão holandesa, na mesma área onde existiu a Igreja Calvinista dos Franceses, os padres da Companhia de Jesus, que anteriormente administravam o Colégio de Olinda, quase destruído pelos flamengos, solicitaram ao rei a instalação de um colégio no Recife. Por ordem régia de D. João VI a fundação do colégio é homologada para funcionar em local doado pelo mestre de campo Francisco Barreto que compreendia “duas moradas de caza [sic] de sobrado, fabricadas por Flamengos com suas lojas e da igreja dos franceses que os mesmos flamengos tinham feito por detraz daquellas cazas [sic]”. O Colégio dos Jesuítas foi construído anexo à Igreja e funcionou até 1760, ano em que o Marquês do Pombal extinguiu a ordem dos jesuítas do território do Brasil. A segunda denominação, Igreja de Nossa Senhora do Ó, deveu-se a data em que o capitão Antonio Fernandes de Mattos lançou a pedra fundamental da Igreja, 18 de dezembro de 1886, dia dedicado àquela Santa. A inauguração foi em 17 de dezembro de 1690, sob a administração dos padres jesuítas. A construção da Igreja [...] teve início a partir da sacristia com as capelas e a nave central. Além da capela-mor, havia quatro laterais, duas no cruzeiro e duas no corpo da igreja, possuindo o templo 60 palmos de largura por 120 palmos de comprimento. A fachada da igreja dos jesuítas era diversa da de hoje, avançada em relação às torres, formando assim um pórtico, ou nártex, [...] (SILVA, 2002, p. ...). Com a expulsão dos jesuítas, a Igreja e o Colégio ficaram abandonados e sujeitos a muitos usos que não o religioso e o educacional. Têm-se notícias que naquelas dependências funcionou uma estrebaria onde os oficiais da guarda do Palácio do Governo acomodavam seus cavalos; uma [...] série incontável de repartições oficiais: Tribunal de Relação, Sala de Audiências; Repartição de Vacina; Faculdade de Direito; Correios; depósito do Arsenal de Guerra e até Teatro daSociedade Dramática Natalense, servindo de palco a própria capela-mor [...]; e, em 1816, o Colégio dos Jesuítas, depois de saqueado, serviu para nele guardarem, por algum tempo, um imenso elefante [...] (PIO, 1960, p. 24). Na gestão do presidente da província de Pernambuco, José Bento da Cunha e Figueiredo (1852-1856), a Irmandade do Divino Espírito Santo, ciente de que o presidente tinha interesse em restaurar a abandonada igreja do antigo Colégio dos Jesuítas a ele se dirigiu através de ofício para solicitar a entrega daquele templo à Irmandade. O pedido enumerava algumas condições, entre elas restaurar a Igreja com a invocação e título do Divino Espírito Santo. Em 10 de julho de 1855, José Bento despachou o ofício concordando com a solicitação desde que as instalações do segundo andar do Colégio, onde funcionara a cadeia, fossem reformadas para abrigar o Tribunal da Relação. A Irmandade concordou e, em 27 de julho de 1855, o presidente da província ordenou ao presidente da Comissão de Higiene Pública a entrega das chaves da Igreja do antigo Colégio à Irmandade do Divino Espírito Santo. Dessa forma, e realizados os consertos mais urgentes, em 8 de setembro de 1855 “transladou a Irmandade do Divino Espírito Santo da Igreja da Conceição dos Militares para a sua própria, o seu divino padroeiro, em solene procissão, conduzido o S.S. (Santíssimo) sob o palio e exposto no trono do Espírito Santo durante o Te Deum, ao recolher da procissão” (PIO, 1960, p. 33). As obras de restauração atravessaram vários anos. A Irmandade conseguiu suportar e vencer os imprevistos revezes para a conclusão das obras. E a Igreja, ao longo desses anos, presenciou e fez parte de muitos fatos dignos de registro que o Recife viveu: a visita do Imperador D. Pedro II (1859); a procissão de penitência durante a epidemia de peste (1860); a festa abolicionista, com celebração de missa, promovida pela Sociedade Patriótica Bahiana Dous de Julho, em 2 de julho de 1870; a recepção a Bispos; e a cerimônia fúnebre de Joaquim Nabuco, em 18 de abril de 1910.
Waypoint

Fórum Tomas de Aquino - Antigo Grande Hotel

Waypoint

Praça 17

Waypoint

Cais do Imperador

Коментари

    You can or this trail